BRASIL , Mulher

Lara & Mara*

É um blog para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza


"Adoro caminhar em silêncio pelas sombras. Sou um bicho da noite, do crepúsculo, uma caçadora noturna. O barulho me fere a alma; busco a quietude, o contato comigo mesma...Tudo é como música, apenas escuto, sinto, navego..."

Meu nome: Mara
Minha idade: 53 anos
Minha cidade: São Paulo
Meu e-Mail: lara.mara@bol.com.br


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01/07/2006 a 15/07/2006

01/06/2006 a 15/06/2006

16/05/2006 a 31/05/2006

01/05/2006 a 15/05/2006

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*Oscar Gay 2006*

Grupo Gay da Bahia (GGB) entrega aos melhores o Troféu Triângulo Rosa, aos piores o Pau de Sebo

 

Como acontece todos os anos, desde 1991, logo após o Oscar de Hollywood, o Grupo Gay da Bahia, entidade de utilidade pública municipal de Salvador, divulgou, pelo décimo sexto ano consecutivo, o “Oscar Gay”, premiando com o Troféu Triângulo Rosa as personalidades e instituições que deram maior apoio aos direitos humanos dos homossexuais, e outorgando o Troféu Pau de Sebo, aos inimigos dos gays, lésbicas e transgêneros. O objetivo do Oscar Gay, em sua 16ª edição anual, é estimular os simpatizantes a defenderem com coragem a cidadania plena dos homossexuais e erradicar a intolerância homofóbica. O Troféu Triângulo Rosa relembra o distintivo utilizado pelos nazistas nos campos de concentração para identificar os prisioneiros homossexuais - mais de 300 mil gays foram presos por Hitler. Hoje o Triângulo Rosa tornou-se o símbolo internacional do orgulho gay. Quanto ao Troféu Pau de Sebo, explica Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia: "Aproveitamos uma tradição irreverente do folclore brasileiro para mostrar o ridículo dos inimigos dos gays, lésbicas e transgêneros: por mais que queiram destruir o movimento de libertação homossexual, nunca chegam a seu objetivo, caindo e se lambuzando no pau de sebo da ignorância. Mesmo que esperneiem, aumenta a cada ano os gays assumidos e o apoio dos simpatizantes, além das garantias legais a favor de nossa cidadania."

 

No Oscar Gay 2006, destacaram-se como principais amigos dos homossexuais o deputado Fernando Gabeira, os Prefeitos de Campinas e Palmas (Tocantins), o ator Bruno Gagliasso e o apresentador Faustão numa lista de 50 personalidades e instituições que se destacaram na defesa dos direitos humanos dos homossexuais. Entre os inimigos merecedores do Troféu Pau de Sebo, predominam políticos e órgãos governamentais, entre esses o Senador ACM por criticar o apoio governamental a atividades do movimento homossexual: "Quem é esse gay forte do governo é o que eu quero saber. Não pode ser um gay fraco, porque não conseguiria o dinheiro para esse apoio", o Deputado Jair Bolsonaro por referir-se aos homossexuais como "boiolas" em discurso na Câmara e por declarar: "não queremos homossexual passivo nem ativo neste governo!", o Cartunista Ziraldo, Ratinho apresentador de TV, por declarar que a morte dos homossexuais "não é causada por preconceito, mas sim por envolvimento com drogas, marginais, etc", Agência Nacional de Vigilância Sanitária, INSS, Comunidades Homofóbicas da Orkut como a "Bicha tem que apanhar na cara" e "Como matar um gay!" por estimular crimes de ódio como "sacar o soco inglês e bater na bicha até não conseguir mais respirar, de tanto sangue entupir suas vias respiratórias, depois dar um tiro", e diversos pastores e entidades evangélicas, por suas declarações contra a cidadania homossexual.

:: Postado por Mara às 14:33
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*A história da mulher lésbica*

 

 

Contar a história das mulheres homossexuais é contar a história de algo que não existe. Não existe, em primeiro lugar, a história da mulher. Em nosso conjunto de valores, a mulher raramente faz parte da história. Logo, não há por que haver uma história das mulheres. Considerando agora o outro aspecto da questão: e no caso das mulheres homossexuais, o que diria a história? Menos ainda, já que, no sistema de valores de nossa sociedade, é pouco comum associar à mulher o exercício de sua sexualidade, homo ou hetero, sem associá-la à procriação. Segundo os antropólogos, o início de nossa civilização é marcado pela proibição do incesto. Os homens precisam de braços para o trabalho, mas não podem, então, procriar e produzir novos braços usando para isso as mulheres de sua família. Assim, precisam estabelecer com outros homens relações de troca, em que as mulheres de uns são comercializadas para procriarem com outros. É assim, portanto, o início de nossa sociedade patriarcal, em que a atividade sexual da mulher está submetida às necessidades masculinas. Da mesma forma, o próprio sexo anatômico da mulher só passou a ter existência há pouco tempo. Segundo Thomas Lacqueur, os manuais de anatomia ainda no século XVIII viam os genitais da mulher como uma versão "falhada" do sexo do homem. Haveria apenas um sexo, o masculino, e a mulher seria o avesso disso, com os mesmos órgãos sexuais masculinos não desenvolvidos, ou voltados para dentro. Por todas essas razões, não é de se estranhar que a história das mulheres que se relacionam sexualmente com outras mulheres seja algo praticamente inexistente.

 

Há, entretanto, algumas pistas que podemos seguir, considerando a história da mulher lésbica como dividida em momentos de alguma visibilidade, a saber:

 

Na Era Clássica
Os parcos documentos existentes sobre a Era Clássica dão conta da existência reconhecidamente histórica apenas da poetisa Safo, habitante da ilha de Lesbos, que se tornará uma espécie de pedra fundamental de nossa história, inclusive fornecendo alguns dos nomes dados ao amor entre mulheres: safismo, lesbianismo. Safo teria estabelecido, na ilha, uma academia de poesia para mulheres. Sua obra, entretanto, foi quase que totalmente destruída pelo Papa Gregório VII, no século XI, tendo chegado a nós uma parcela ínfima de sua produção. Além dela, teria vivido no século IV antes de Cristo a filósofa Filênis, que teria, inclusive, escrito textos acerca de sexo entre mulheres. Sobre ela há parcas referências. Por último, ainda em relação a esse período, há as narrativas - até onde se sabe lendárias - a respeito das Amazonas, uma tribo de mulheres guerreiras que somente se relacionariam com homens para a procriação, de modo a manter a existência da tribo.

:: Postado por Mara às 14:24
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Na Inquisição
Instrumento de repressão da Igreja Católica ao longo de muitos séculos, a Inquisição acabou legando documentos relacionados aos que passaram por suas garras. O caso mais conhecido desse período talvez seja o de Joana D'Arc, que foi queimada no século XV por vestir-se como homem, para poder lutar pela França à frente de uma tropa. Sabe-se que dormia sempre acompanhada de moças, como forma de defender sua virgindade. Ainda durante o período da Inquisição, ocorre no início do século XVII o caso das religiosas Benedetta e Bartolomea, a partir de pesquisas nos documentos inquisitoriais. Benedetta Carlini era abadessa de um convento próximo a Florença. Tinha visões místicas e eróticas e, por sofrer dores intensas e inexplicáveis, passou a ter como ajudante uma freira mais jovem, chamada Bartolomea Crivelli. Mais tarde, os inquéritos da igreja revelaram que as duas tiveram relações sexuais por muitos anos. Longe dos tribunais eclesiásticos mas próximo aos tronos, ainda no século XVII, na Suécia, ocorre a abdicação da Rainha Cristina, por não querer se casar. Registra-se que era sua companheira uma camareira chamada Ebba. No Brasil, já no início do século XIX, ficou registrada a amorosa correspondência entre a Imperatriz Leopoldina e a inglesa Maria Graham, depois de breve convivência que tiveram no Brasil.

 

No Final do Século XIX
O final do século XIX e o início do século XX foram marcados pelo surgimento de estudos de natureza psiquiátrica e de medicina legal. A ciência dedicava-se a estabelecer padrões de normalidade e a descrever, para tentar curar, tudo o que não se adequava a esses padrões. Alguns cientistas desse período dedicaram-se a investigar causas e possíveis terapêuticas para os chamados casos de "inversão". Alguns atribuíam causas fisiológicas para o homossexualismo. No Brasil, Francisco Viveiros de Castro, em 1894, considerava a homossexualidade um distúrbio que merecia tratamento médico. Um pouco mais tarde, será Freud, em seus estudos sobre a sexualidade feminina, a descrever causas do homossexualismo. Subjacente à visão de Freud está a concepção de superioridade masculina. Embora Freud sem dúvida represente um avanço em relação aos estudos fisiológicos de seus antecessores, fica evidente em seus estudos uma clara visão falocêntrica.

 

No Século XX
Ao longo do século XX, a história do lesbianismo parece sintonizar-se com a história do movimento feminista. É no contexto da primeira guerra, com a necessidade das mulheres ocuparem espaço no mercado de trabalho, em razão dos homens estarem no campo de batalha, que se dá a primeira onda mais visível do movimento feminista. Ao longo dos primeiros anos do pós-guerra, mais e mais mulheres destacam-se por sua atividade intelectual e por sua militância em prol dos direitos da mulher. Pode-se dizer que a face mais evidente desse momento é o movimento sufragista, que lutava pelo direito das mulheres ao voto. No que diz respeito ao lesbianismo, é nesse momento que surgem, na Europa, alguns grupos de mulheres que vão destacar-se através de sua atividade artística. Em Paris, há o grupo que se reúne na casa de Nathalie Barney, freqüentado por nomes como Gertrude Stein e Alice B. Toklas, Radclyffe Hall e Lady Una Troubridge, Djuna Barnes, Romaine Brooks, Colette, Sarah Bernhardt, Isadora Duncan, Greta Garbo e outras. Na Inglaterra, o grupo de Bloomsbury reúne em torno de Virginia Woolf figuras como E. M. Forster, J. M. Keynes, Vita Sackville-West, entre outras. A partir dos anos 30, há um certo recrudescimento do movimento feminista, que vai coincidir com uma certa invisibilidade lésbica. É só a partir do final da segunda guerra, novamente a partir da maior inserção das mulheres no mercado de trabalho, que o movimento feminista vai viver sua segunda onda de maior visibilidade e militância. Em 1949, Simone de Beauvoir publica "O segundo sexo", um marco na luta das mulheres. A partir de 1954, com a invenção da pílula anticoncepcional, as mulheres podem finalmente desvincular, com menos riscos, a atividade sexual da procriação. Com estes antecedentes, a década de 60 vai ser marcada pela intensificação das lutas feministas, pela liberação sexual e, pelo aumento da visibilidade lésbica. No bojo dos grupos feministas começam a aparecer os primeiros grupos de militantes lésbicas. Os anos 70 vão, entretanto, marcar o início do divórcio entre lésbicas e feministas. A partir daí, surgem grupos específicos voltados para a causa homossexual, às vezes reunindo homens e mulheres ou apenas lésbicas, sobretudo no final da década de 70 e início dos anos 80. O final do século será marcado por uma progressiva desqualificação do movimento feminista e uma intensificação dos movimentos organizados de gays e lésbicas, cuja face mais visível se expõe na afluência cada vez maior às Paradas do Orgulho Gay em muitos países.

 

(por Ana Maria Domingues de Oliveira - doutora do Departamento de Literatura da Faculdade de Ciências e Letras de Assis – UNESP)

:: Postado por Mara às 14:18
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*Dez mandamentos para não sofrer por amor*

Dez mandamentos retirados do livro “Ya no sufro por amor” (Já não sofro por amor) da escritora espanhola Lucía Etxebarria. Parodiando os livros de auto-ajuda que ensinam a fazer qualquer coisa para arranjar uma parceira, a autora escreve sobretudo para mulheres em busca do famoso “par perfeito” e joga baldes e baldes de água fria no sonho do amor romântico.

 

 

Dez mandamentos de uma relação mais ou menos feliz:

 

1. Amar alguém que te corresponda: é uma regra de ouro, que elimina 95% das preocupações de uma relação. O equívoco mais comum é acreditar que a outra pessoa vai se apaixonar por você com o tempo.

 

2. Procurar alguém com quem tenha coisas em comum: é reconhecido que os opostos se atraem, mas as possibilidades de estar juntas se esgotam devido a incompatibilidades intelectuais e emocionais. Universos muito diferentes, idéias políticas opostas, tudo conspira contra a relação. “Se as diferenças básicas são pequenas, as probabilidades de ter conflito são mínimas”.

 

3. Conheça, não imagine. Não projete: cada vez mais, é comum as pessoas acreditarem que conhecem a pessoa da sua vida depois de três meses de relacionamento. “O que acontece é que todas tendemos a projetar e a idealizar quando estamos apaixonadas”.

 

4. Não se aborreça: se o preço de não ter discussões no relacionamento é aturar tardes de domingos chatíssimas diante da TV, a coisa não vai funcionar.

 

5. Estabeleça as regras antes do jogo: se você quer compromisso, não adianta embarcar em relacionamentos que são apenas sexo casual. E vice-versa. Muita gente mente ou oculta a verdade no início da relação para impressionar a outra, o que indica um grave erro. Deve-se mostrar as expectativas desde o início de forma a não fazer com que esperem de você algo que não está disposta a dar. 

 

6. Se fez com ela, pode fazer com você: alguém com antecedentes pouco recomendáveis sobre seus relacionamentos do passado pode ser um problema. Talvez não da mesma forma nem num primeiro momento. Se deixou outra pessoa por você, tenha em conta que poderá te deixar por outra.

 

7. Não sacrifique-se: nunca renuncie a algo que seja muito importante para você com o objetivo de conseguir afeto. Trabalho, amizades e família não podem ser descuidadas. Se no relacionamento vai perder parte de si mesma, de sua personalidade, daquilo que te define, não é uma relação, é um seqüestro.

 

8. A outra não é superior a você: ninguém é. É um bom conselho para mulheres. Começar a pensar bobagens do tipo “ela é boa demais para mim” é entrar num caminho de dependência. “Uma relação tem que ser igualitária. Ou não ser”.

 

9. Não tenha segredos: se alguém não te aceita como você é, é porque não te aceita. Não esconda seu passado sexual, não diga que gosta de crianças se você detesta. “Ser capaz de conseguir confiança e apoio mútuos com outra pessoa é a promessa mais clara de felicidade numa relação".

 

10. Você merece ser feliz: se não é, busca, compara e encontre algo melhor. Não acredite em bobagens do tipo “minha vida não tem sentido sem você”. Uma relação nunca deve ser baseada em sofrimento ou dependência. Segundo a autora, lembre-se que quase todo mundo merece ser feliz, excluindo-se os neonazistas, os skinheads e os especuladores imobiliários.

:: Postado por Mara às 14:11
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*Lota Macedo Soares & Elizabeth Bishop*

A história de Lota e Bishop é intensa, o encontro de dois gênios, Lota a criadora do Aterro do Flamengo, modernista, carioca apaixonada e Bishop uma das maiores poetisas da língua inglesa.

 

 

 

Lota e Elizabeth, 15 anos juntas

 

Elizabeth Bishop é considerada a maior poetisa norte-americana do século 20. O melhor de sua produção se deu nos anos de reclusão com Lota Soares, na Casa da Samambaia em Petrópolis. Ali produziu “Poems”, que lhe valeu o prêmio Pulitzer (1956) e o reconhecimento internacional. Para Lota, ela escreveu “Banho de Xampu”. No Brasil, Bishop livrou-se de um passado negativo: era alcoólatra e tinha problemas com a falta de uma família. O pai cometeu suicídio quando ela tinha oito meses e a mãe que entrou em surto psicótico a partir disso, passou o resto da vida em clínicas psiquiátricas. A escritora chegou ao Brasil em novembro de 1951, fugindo de mais uma crise. Consultora de poesia na Biblioteca de Washington, mas julgando-se incapaz para o cargo, caiu em depressão e buscou refúgio numa colônia de escritores. Quando bebia demais, ela mesma se internava. Achou que era hora de realizar o sonho de uma viagem de circunavegação pela América do Sul. Pode-se dizer que o motivo inicial da permanência de Bishop no Brasil foi a ingestão de um caju, que lhe provocou uma crise alérgica, inchando e deformando suas mãos e rosto. A atenção dispensada pelos brasileiros a encantou, e mais ainda a declaração de amor que Lota lhe fez. Tendo vivido com os avós maternos numa aldeia de pescadores, a paisagem de Petrópolis fez com que retomasse um olhar sobre sua própria infância. Por volta dos sete anos foi morar com os avós paternos, cercada de pessoas sisudas. No conto "A Ratinha do Campo", escreve que se sentia ‘com o mesmo status do cachorro da casa”. Na adolescência, descobriu sua homossexualidade, o que a tornou ainda mais arredia e silenciosa.

 

Maria Carlota de Macedo Soares, a Lota veio de família da elite carioca. Dirigia um Jaguar, usava calça jeans e camisas. Não fez universidade, mas teve aulas com ilustres como o pintor Cândido Portinari e tornou-se uma esteta com conhecimentos profundos em arquitetura e urbanismo. Sua obra de maior visibilidade foi o Aterro do Flamengo, que lhe rendeu desavenças, sobretudo com o paisagista Roberto Burle Marx. Lota Macedo Soares também sofreu com problemas familiares. Desgastada emocionalmente com a separação dos pais, resolveu morar sozinha aos 25 anos, o que já significou um pequeno escândalo na alta sociedade. Retornando de um período em Nova York, quis construir seu retiro no terreno da serra recebido como herança, no bairro de Samambaia, em Petrópolis. Com ajuda do arquiteto Sergio Bernardes projetou a casa de Samambaia, um marco da arquitetura brasileira moderna. Nos sete anos que duraram as obras, Lota e Bishop viveram em condições inóspitas, sem água, sob a luz de lampião. Quando Carlos Lacerda tornou-se governador da Guanabara no final de 1960, em nome da amizade pessoal, Lacerda convidou Lota a realizar uma obra pública. Começou então o tumultuado processo de construção do Aterro do Flamengo, encabeçado por uma mulher sem diploma universitário. Para aterrar a área, o morro de Santo Antonio foi desmanchado a jatos d’água. Para criar a praia do Botafogo, retirou-se areia do fundo do mar, com a mesma draga que abriu o Canal do Panamá. Com a derrota do candidato de Carlos Lacerda em 1965, Lota foi retirada do comando dos trabalhos, o que resultou em três meses de internação para sonoterapia. Quanto à relação com Elizabeth Bishop, houve um desgaste inevitável devido aos cinco anos de obras no Parque, com Lota trabalhando de 12 a 14 horas por dia. Relegada, a poetisa voltara ao álcool e não mais produzia, acabando por aceitar um convite para dar um curso em Seattle. Quando voltou em meados de 1966, Bishop já tinha outra companheira, bem mais jovem. Preterida, Lota tornou-se neurótica e transferiu a obsessão pelo trabalho para a ex companheira, que saiu de cena a pedido dos médicos. Em setembro de 1967, Elizabeth Bishop recebeu em Nova York a visita de uma mulher totalmente fragilizada, física e mentalmente. Na mesma noite da chegada, Lota tomou um vidro de Valium. Depois de uma semana de coma, seu coração parou. Bishop depois de resolver complicadas pendências judiciárias, relativas à herança que Lota lhe deixou, retornou definitivamente aos Estados Unidos, onde ensinou poesia em Harvard e na New York University. Faleceu em 1979 vitimada pelo rompimento de um aneurisma.

 

(por Nadia Nogueira – historiadora e professora da UNICAMP)

:: Postado por Mara às 13:46
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*Sexo vibrante*

 

Hércules é um dos heróis máximos da mitologia grega. Graças a ele, soldados e líderes tinham em quem se inspirar quando precisavam de um exemplo de força.

 

Sócrates foi um dos maiores filósofos da Grécia antiga. Graças a ele, o ocidente começou a conceber a idéia de imortalidade da alma.

 

Julio César foi o líder responsável pelo apogeu do Império Romano. Graças a ele, Roma explodiu em prosperidade e o latim se espalhou por diversos cantos da Europa.

 

Napoleão Bonaparte foi o maior imperador da França. Graças à sua idéia de invadir Portugal, a Família Real fugiu de Lisboa para fazer do Rio de Janeiro a capital do Império.

 

Hoje, Hércules, Sócrates, César e Napoleão não são mais apenas líderes intelectuais ou militares. Abandonaram o panteão de figuras lendárias para penetrar em um universo muito mais íntimo e, quem sabe, fascinante. Trocaram a esfera publica pela privada, a notoriedade pelo quase anonimato. O novo Hércules não dá a mínima para atos heróicos. O novo Sócrates é indiferente à nossa vã filosofia. O novo César não é mais um líder insaciável. O novo Napoleão já não alimenta desejos megalomaníacos. Comparados aos homens que foram, são figuras pacatas, serenas, caladas... mas nem por isso menos amadas. Não servem mais ao “povo” ou à “nação”, mas, quando chamados por seus soberanos a entrar em atividade, desempenham suas funções com extrema eficiência: incansáveis, estão sempre em alerta e nunca falham. Separados por vários séculos de história, eles hoje ignoram a cronologia e se encontram em um universo atemporal e hedonista. Muito prazer! Hércules, Sócrates, César e Napoleão são vibradores. Graças a eles, milhares de brasileiros apimentam suas relações sexuais. Os vibradores, ou “acessórios”, como os donos de sex shops preferem chamá-los, não são apenas cópias fiéis de pênis com nomes de personagens imponentes. Existem alguns – os dildos – de design mais sóbrio, feitos em acrílico colorido, que – tal qual os ensinamentos do filosofo Sócrates – lembram um pênis apenas no “mundo das idéias”. Existem outros, mais realistas, de silicone ou de um material chamado cyberskin, nas cores da pele. Existem, para os brincalhões, vibradores estilizados, em formato de sereia, coelho ou golfinho e, para os mais gulosos, em cor e forma de banana. Existem vibradores que tremem, que giram, que tremem e giram. Para os avessos à tecnologia, há modelos que não tremem, não giram, mas podem ser usados embaixo d’água. Existem vibradores anônimos e famosos, reproduzidos a partir de pênis de mitos do pornô. À parte as diferenças de cor, forma, desenho, tamanho e preço, há um ponto em comum entre os vibradores: nenhum tem pelos pubianos. Carla Fernandes, vendedora de um Sexy Shop, no Rio de Janeiro, acha que a “concentração” é um dos melhores atributos do vibrador: “O vibrador acompanha a mulher até o fim. Por isso, tenho cinco modelos diferentes em casa e faço propaganda deles para minhas amigas.” Carla não é a única pessoa a apontar os atributos de um vibrador. No Orkut, há sete comunidades exaltando o tema, entre as quais “eu sou viciada(o) em vibrador”, “toda mulher tem que ter um vibrador” e “vibrador não ronca e não peida”. Nessa última, lê-se a seguinte descrição: “Criei esta comunidade para todas as mulheres que estão cansadas da falta de caráter masculino (sic), cansadas da inconstância no comportamento deles e da insistência dos mesmos em "fazer sexo sem compromisso". Se você quer sexo sem compromisso, seja prática, compre um vibrador, seguramente terá prazer e algumas vantagens: vibradores não roncam, não peidam, não cutucam o nariz, não esquecem a tampa do vaso levantada, não são ciumentos nem possessivos e não reclamam de absolutamente nada!"

(por Roberto Kaz – articulista da revista virtual “NoMínimo")

:: Postado por Mara às 04:12
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*Diga não ao mito da MPMC*

Explicando: MPMC = mulher poderosa mal-comida

 

Por que toda moça que vira chefe ou político importante logo ganha fama de mal-comida? É possível que haja quem pense assim em pleno século 21? Pois leia o texto abaixo e conclua: por essa lógica, que mal-comido é um homem...

 

  

As pessoas da firma estão todas em polvorosa esperando para saber quem vai ser o novo chefe. Ele chega. Quer dizer, ele é uma mulher. Susto. Se for meio brava, então, já era. Logo logo os funcionários (e as funcionárias, o que é pior) vão começar a comentar que ela é mal-comida. Um bom sexo resolveria tudo. Quem sabe um vibrador? Se você substituir a chefe mulher por um chefe homem, que chega na firma, grita com todo mundo e ameaça demissões, a conversa no quilo vai ser outra. Ele é um canalha, ele é um monstro. Mas ninguém vai dizer que ele é um mal-comido que precisa de sexo. Mulher poderosa, coitada, sempre é mal-comida. Ou não. Às vezes ela é bem comida. Isso quando deu para o chefe. A sociedade ainda só aceita a mulher chefe que deu (ou não deu). Fez o teste do sofá. Homem que deu para subir? Comeu para subir? Sinceramente, você já ouviu alguém falar isso no trabalho? Não sabemos como tudo começou. Mas claro que a teoria da histeria do Freud (que para a época fazia muito sentido) deve ter contribuído. Só que depois apareceram mulheres que pioraram as coisas. A Margareth Thatcher, por exemplo, deve ser uma das maiores responsáveis pelo mito da mulher poderosa mal-comida no mundo. Sim, também achamos que a Margareth é mal-comida. Assim como a Condoleza Rice. Mas por que nunca ninguém fala que o Bush é mal-comido? E ele é! Um homem que precisa bombardear países tem sérios problemas sexuais. Não é preciso ser o Contardo Calligaris para imaginar que um míssel é uma coisa fálica. Nunca ouvimos ninguém dizer: "Mas esse Bush precisa é de uma boa trepada". Não, não é só disso que ele precisa, claro. Ele também precisa de choque elétrico e camisa-de-força. Mas a realidade dura e triste, em um país em que só 30% das mulheres chegam a cargos de chefia, é que a chefe sempre é mal-comida. Assim como a que entra na política e dá certo, é eleita e briga com todo mundo. Heloísa Helena é mal-comida. Coisa que ninguém diria do ACM Netto. Digam não a essa babaquice, meninas! O mito é uma farsa. Olhem na contra-capa para ter certeza.

 

(por Nina Lemos - jornalista)

:: Postado por Mara às 16:20
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